domingo, 21 de novembro de 2010

Da Capo

Termo italiano que significa "Do início", o início de um pedaço de mim que eu mantinha encostado e inutilizado no canto do meu quarto, esquecido e empoeirado, usava só quando me pediam um texto na aula de redação, ainda sim com as mãos enferrujadas  o português se contorcia no papel...
Bit-a-Bit nos termos da informática que alias é a única coisa que tem me ocupado ultimamente é uma transmissão serial de dados, um dado após o outro, um por um, sincronizados por pulsos elétricos de frequência constante, assim escrevo, letra por letra, texto por texto, com calma, sem pressa. Mais ou menos assim será essa nova página que ocupa os servidores remotos da world wide web, lentamente crescerá... ou não.
Acho sinceramente loucura no dia mais atarefado da minha vida, 2 enormes trabalhos para serem entregues amanhã, no mínimo mais 10 pro resto da semana, e fora o fato de já estar atrasado para ir para um ensaio importante eu estar aqui escrevendo a primeira postagem do meu blog. Ainda nem entendi pra que um blog... Já que estamos falando de loucura então...

Crônica de um louco interoceptivo
Meu maior consolo seria que eu enlouquecesse de vez, assim teria certeza de que devaneios como esse seriam fruto completo do meu distúrbio, mas por enquanto vivo na infinita duvida se realmente estou enlouquecendo ou minhas faculdades mentais de fato me permitem escrever isso.
Mas será que os loucos realmente podem ter certeza de algo? Afinal eles – quem sabe ainda não me incluo nesse grupo – são loucos! Creio que Freud encontrou essa resposta antes de mim, mas acredito que louco seria pelo menos mais compreendido. Poderia andar pelos corredores do campus lendo ensaios matemáticos que descrevem um algoritmo do ciscar dos pombos na grama sem me preocupar em retribuir sorrisos vagos ou comprimentos vãos; poderia passar a noite no laboratório estudando soluções otimizadas de autômatos finitos não determinísticos sem me preocupar com a reação dos meus pais e amigos; escreveria esse texto sem me importar como a cara que você, leitor, está fazendo.
Sei lá se loucos também lavam suas mãos das preocupações, mas não teria mais que amar, afinal não poderia diferenciar o sentimento frívolo de mais um delírio, estaria livre de todas as confusões que os sentimentos geram na cabeça e no coração do homem eles não passariam de mais uma viagem maluca, não teria que voltar minhas atenções a um amigo, nem saberia se ele existe ou não, não me importaria nem comigo mesmo, seria eu real ou fruto da minha imaginação? E se sou fruto dela, onde realmente estou e quem eu sou no fim das contas? E quem está escrevendo isso?
Lembro-me de uma música da inconfundível Pink Floyd, Brain Damage – pra os ignorantes na língua inglesa, assim como eu, significa lesão cerebral -, “o lunático está no gramado... o lunático está na sala... o lunático está na minha cabeça”, por minha conta, o lunático está na cama, escrevendo coisas que não fazem sentido algum em plenas 11 da noite ao invés de fazer como todas as pessoas normais: ir dormir.
Diz o velho ditado que de medico e de louco todos temos um pouco, que o diga O Alienista. Afinal posso eu escrever algo que não sou? Quem escreve algo sempre tem dentro de si um pouco do que transmitiu para o papel, assim que penso. Se eu penso, e se penso, se eu existo. Sei que incomoda meu caro apreciador da leitura que eu termine o texto de maneira tão vazia quanto o iniciei, mas será que já não estou no ápice de minha loucura?

Escrevi esse texto a algum tempo... achei que seria perfeito para a ocasião ^^. Espero que se tenham se divertido pelo menos...
até a próxima caríssimos...
Da Capo

3 comentários:

  1. Você devia escrever frequentemente, ia me divertir muito. O texto é muito bom, mas o que mais intriga é a critividade de escolher o nome do blog. Porque eu nunca tive essa criatividade?

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  2. OPA! Algo novo na net hen?!
    Talvez isso lhe de trabalho mesmo,
    talvez isso seja a loucura a qual vc descreve,
    talvez isso pareça às vezes... confuso.
    Mas escrever um blog talvez seja isso mesmo,
    ao mesmo tempo que você não sabe porque escrevê-lo, você quer escrevê-lo...
    Espero que todas suas postagens seja com esse seu texto, "Crônica de um louco interoceptivo", para os mais graduados, um texto de caracter intelectual alto e de complexibilidade sobre a realidade... mas para os mais proximos, uma confissão verdadeira de um amigo escrita com palavras (muito) bonitas, mas sempre verdadeiras.
    Continue assim ok, e não deixe isso morrer! Seja sempre honersto que talvez isso leh traga bons resultados!

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  3. Quase um mês depois e eu venho responder os comentários, que tipo de anfitrião sou eu não =D.
    Prometo tentar escrever com mais frequencia Clara, e prometo responder seus comentários com mais agilidade. A Eduardo, meus textos não tem tanta complexidade assim, quem sou eu perto do gênio Machado de Assis, vou sustentar o blog até que não se torne um enfado.

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